A Guarda Suíça Vaticana
Os Guardas Suíços eram soldados suíços mercenários que serviam em palácios e cortes europeias como guarda-costas e guardas de cerimoniais para importantes nobres e reis desde o século XV. Sua reputação era de disciplina e lealdade para com seus empregadores. Historicamente, temos registros de que alguns regimentos da Guarda Suíça serviram também como tropas de linha em vários exércitos como o Francês e o Espanhol, entre outros, até o século XIX.
Existiram vários Guardas Suíças. O primeiro destamento foi a Guarda dos Cem Suíços na corte francesa entres os anos de 1497 e 1830. Durante o século XVIII, existiram muitas outras Guardas em várias cortes europeias.
A Guarda Suíça Vaticana tem sua origem com uma aliança prévia do Papa Sixtus IV (1471-1484) com a Confederação Suíça. A aliança foi renovada por Inocêncio VIII (1484-1492) para que ele pudesse lutar contra o Duque de Milão. Em seguida, o Papa Alexandre VI (1492-1503) fez uso da guarda para honrar sua aliança com o rei da França. Mas somente quando as guerras dentro da Itália começaram foi que os mercenários suíços passaram a defender veementemente a França e a Santa Sé em prol do Império Santo Romano.
Os mercenários alistaram-se quando ouviram que o Rei Carlos VIII da França ia fazer guerra contra Nápoles. Entres os participantes nesta guerra estava o Cardeal Giullino della Rovere, o futuro Papa Julio II (1503-1513). Quando o Julio II assumiu o papado, pediu à Suíça para lhe fornecer 200 mercenários suíços, o ano era 1503.
Em Setembro de 1505, o primeiro contigente de 150 soldados começaram a marchar para Roma, sob o comando de Kaspar von Silenen, e entraram no Vaticano em 22 de Janeiro de 1506, e esta é data oficial de fundação da Guarda Suíça Vaticana.
Hoje, a Guarda Suíça existe apenas como um pequeno exército do Estado Vaticano. O grande exército suíço não existe mais desde o século XIX, por isso não vamos nos deter a essa parte da história.
Para se tornar um guarda suíço vaticano, o candidato deve ser homem, católico, solteiro e com cidadania suíça. Deve se ter completado o treino básico com o Exército Suíço e ter obtido certificado de boa conduta. Os recrutas devem ter um diploma profissional ou um grau acadêmico e devem ter entre 18 e 30 anos de idade e pelo menos 1,74m de altura.
Depois de oficializada em Roma, mais precisamente no Vaticano, a Guarda passou a defender os interesses "militares" do Papa. O mais marcante feito da Guarda Suíça Papal se deu em 6 de maio de 1527, quando tropas invasoras de Carlos V se enfrentava com as tropas de Francisco I em uma segunda e sangrenta batalha por poder e riquezas. As tropas invadiram a cidade de Roma ávidas por posses e ódio contra a religião. Saquearam e destruiram tudo o que viam pela frente inclusíve as posses do Papa e da Igreja. Os 150 soldados enfrentam mais de mil soldados alemães e espanhóis. Eles combateram ferozmente em favor da pessoa do Pontífice. Tudo aconteceu ao redor das escadas do altar-mor da então, em contrução, Basílica de São Pedro.
A bravura desses homens ficou marcada na história da Igreja e da própria Guarda porque foi um batalha vitoriosa, pois conseguiram os objetivos de protejer o Santo Padre. Formados em círculo em torno de sua Santidade o Papa Clemente VII, buscaram criar uma forma de colocar o Santo Padre a salvo no castelo de Santo Ângelo. Dos 150 guardas papais, 42 apenas sobreviveram. Os inimigos caíram mortos em número de 800 ante as armas suíças.
A batalha dos reis espanhol e alemão causou um devastação tão horrível que um manuscrito contemporâneo relata: "O inferno não é nada se comparado com a visão que oferece a Roma de hoje". Erasmo de Roterdã, um humanista não fanático religioso escreveu em relação a devastação que estes homens fizeram na Cidade Eterna: "Roma não era só a fortaleza da religião cristã, a sustentadora dos espíritos nobres e o mais sereno refúgio das musas; era também a mãe de todos os povos. Porque, para muitoso, Roma era mais querida, mas doce, mais benfazeja que seus próprios países. Em verdade, esse episódio não constituiu tão somente o ocaso desta cidade, mas o do mundo".
Esta data foi tão marcante que todos os anos a 6 de maio os novos "Guardas Suíços" prestam juramento ante o Papa e são empossados. O juramento é feito com a mão levantada e três dedos abertos que representam a Santíssima Trindade.
O juramento é feito segurando a Bandeira da Escolta Pontifícia que é desenhada do seguinte modo: uma cruz branca divide a bandeira em quatro partes. No canto inferior direito aparece o brazão do Papa Julio II, no meio pode se ver o brazão do comando. O Papa reinante tem o seu brazão na parte superior esquerda; o outro quarto apresenta as cores da Guarda Suíça.
O engraçado é que a Igreja é sempre acusada e forçada a pedir desculpas por erros que cometeu, o que faz com humildade através dos Papas que seguem na história. Agora o que não entedo é porque os governos espanhol e alemão, em 5 séculos, ainda não pediu perdão à cidade de Roma e nem a Igreja.
Mas como é constituída essa guarda? Porque suas roupas são tão coloridas?
Como já dito, são homens saudáveis entre 18 e 30 anos, católicos de cidadania suíça. Ter reputação criminal e social absolutamente imaculadas é quisito obrigatório. Outro quesito importante é que cada homem deve ter feito já treino militar do exército suíço. Todos estes quesitos devem ser seguidos e são compromissos mínimos de um guarda suíço.
Já o uniforme desses soldados é um espetáculo à parte. O tecido da roupa é de uma malha de cetim nas cores azul-roial, amarelo-ouro e vermelho-sangue. Tais vestimentas causam uma certa estranheza e chama a atenção devido a sua cores tão fortes e também por ser um traje de um soldado. O desenho é atribuído a Michelangelo, mas em 1914 passou por uma reforma o que o tornou mais confortável. O uniforme, alegria dos turistas que passam todos os dias pelo Vaticano, esconde homens que são verdadeiros guarda-costas encarregados de protejer com a vida o Santo Padre de ameaças e terrorismos de todas as naturezas. Mesmo quando a sede da Igreja era em Avignon, séculos XIII a XIV, já se podia ver estes homens com suas roupas militares ao redor do papa e das posses da Igreja.

Uma outra curiosidade sobre esse pequeno exército é que sua língua oficial é o alemão.
Como já dissemos, o dia 6 de maio é marcado como solene para a Guarda Suíça. Todos os anos, nesta data, no pátio de São Dâmaso, distante poucos metros da Basílica De São Pedro, o exercíto papal, juntamente com centenas de visitantes, acontece a tradicional cerimônia para a posse de novos membros e o juramente solene de fidelidade diante do Papa. Após isso, todos, devidamente postados com suas lanças, espadas e capacetes militares e vestidos com suas armaduras medievais e uniformes de listas coloridas se revesam para as inumeras funções designadas a eles dentro do Estado Papal. Durante suas obrigações, o mais antigo e menor exército do mundo é fotografado e admirado por todos que por ali passam todos os dias.
A cerimônio de juramento é feito da seguinte maneira: cada novo soldado marcha até o centro do pátio e, com o braço esquedro segura a bandeira oficial. Ao mesmo tempo, a mão direita é elevada e apenas três dedos são abertos como ja falamos acima.
O juramento é individual e cada um dos "Hellebardieri" são reconhecidos, desde então, como membros da Guarda Suíça. O texto abaixo é uma parte do juramento:
“Juro servir fielmente, lealmente e honorificamente ao Papa em exercício ... (é colocado aqui o nome do Papa no poder) e seus sucessores e, com todas as minhas forças, dedicar-me a ele, podendo sacrificar mesmo minha vida em sua defesa.”
Ao final de tal ato, os homens são assim empossados ou renovados como os Guarda-costas do Sumo Pontífice como para todo o Estado Vaticano e seus interesses.
Apesar de um passado glorioso como contamos e como se conta sua história, a Guarda Suíça já viveu momentos de dificuldades e também escândalos. Especulou-se que iria até mesmo acabar.

O primeiro susto foi vivido em 1970, quando o Papa Paulo VI cortou grande partes dos gastos com segurança para o Vaticano. Sabemos que havia uma certa rivalidade entre os seguranças e os soldados suíços e com a determinação de Paulo VI, apenas o tradicional exército ficou em exercício.
Um segundo susto foi uma das piores tragédias vividas pela pequena organização. Em 4 de maio de 1998, um jovem soldado suíço de nome Cédric Tornay, 23 anos, assassinou o recém empossado comandante Alois Estermann e sua esposa e logo em seguida se matou.
Oficialmente, sabemos por pronunciamento da Santa Sé que os crimes teriam acontecido porque o jovem não teria recebido uma promoção justa dentro da Guarda e que, num instante de loucura, cometeu os crimes. Muito se especulou e muito se falou sobre o caso na época sendo motivo até mesmo de livros e um dos mais vendidos foi o chamado "City of Secrets" do então correspondente do Sunday Times em Roma, John Follain. O que realmente aconteceu não cabe a nós julgar ou condenar. Não estamos aqui para mostrar os podres de sistema da Santa Sé, muito pelo contrário, queremos explorar o que ele tem de mais bonito para que a fé dos Filhos de Deus sejam mais e mais fortalecida. Onde há seres humanos vai haver falha e queremos, com isso, deixar os julgamentos para Deus no dia do juízo final e aconselhamos a todos a fazerem o mesmo.

Símbolo de comemoração dos 500 anos da Guarda Suíça Vaticana.
Voltando a falar ainda da carreira dos recutras suíços, descobrimos que eles ganham em torno de 1.300,00 dólares, mas não pagam nenhum centavo de impostos sendo cidadãos do Vaticano. Com um salário assim pode se ter um vida normal em Roma, mas os recrutadores trabalham também com atrativo do posto ser "algo" perto do Papa.
Depois de vários séculos, a guarda suíça enfrentou situações de várias naturezas e a que mais a desafia hoje é a questão de sua adaptação a tempos modernos. O primeiro sinal de que isso está acontecendo foi o engajamento do primeiro soldado de pele escura na corporação pontifícia. Dhani Bachmann, 23 anos, naturalizado suíço, nasceu na Índia e possui pelo escura. Uma contrariedade teria surgido por uma tradição de que todos os guardas deveriam ter cor homogênia, mas isso caiu por terra porque Dhani compriu todos requisitos para o cargo e foi aceito sem por menores.
“Esse processo foi complicado pois os soldados da Guarda Suíça devem ser homogêneos. Para mim, apesar da sua aparência estrangeira, Bachmann é um suíço como os outros. Além disso, ele cumpre todos os requisitos de admissão”, explica Karl-Heinz Früh, responsável pelo Centro de Informações e Recrutamento da Guarda Suíça (IRS), em Neuhausen am Rheinfall, uma pequena cidade localizada na fronteira com a Alemanha.
Outro sinal de que esse profissionalismo está se modernizando é que o montar guarda com o tradicional uniforme de Michelangelo para turista ver ocupa apenas 30% das tarefas. A maior parte do tempo dos saldados está dividida no escoltamento do Sumo Pontífice em visitas de autoridades, em viagens dentro da própria Itália e no exterior e também em audiências e cerimônias pela Praça São Pedro. Muitos deles se misturam com a multidão com equipamentos modernos de comunicação. O uso de armas também é feito desde o atentado a João Paulo II em 1981.
A grande dificuldade que a Guarda encontra hoje é o recrutamento de novos jovens para uma vaga não tão valorizanda em comparação com os elevados salários do governo suíço. Outra tentativa de atrair candidatos é oferecer uma ótima formação para que depois que eles deixarem o Vaticano possam ter uma boa referência para uma inserção no mercado de segurança.
Dois anos é o tempo se serviço, mas pode ser renovado por mais um se o candidato assim escolher. Com esse serviço prestado, os candidatos podem depois prestar um concurso público para "Agentes Federais de Segurança" cujo diploma é reconhecido pelo gorverno da Suíça. No ano de 2002, três militantes suíços vaticanos foram aprovados no exame.
Outros soldados, depois de deixarem a Santa Sé, procuram outros tipos de serviços na área de segurança privada ou mesmo pública. Outros, ainda, se tornam policiais.

Para se melhorar as condições de vida dos soldados enquanto em exercício, uma fundação foi criada. Alguns membros são pessoas de poder e de importância social. Um fruto dessa fundação foi a criação, dentro do Vaticano, de uma sala de musculação para os soldados. Outro investimento dos fundos arredados foi uma profissionalização na seleção de novos candidatos.
“Na seleção eu explico já de antemão que servir na Guarda Suíça é um privilégio, o privilégio de estar próximo ao Papa”, conclui Karl-Heinz Früh.

Página oficial da Guarda Suíça no site do Vaticano.

Fonte de consulta: wikipedia.org | vatican.va